Calcanhar x Meio do Pé: O Que Realmente Importa na Pisada?

Descubra por que aterrissar com o calcanhar não é necessariamente ruim e o que realmente importa na sua pisada: a posição do pé em relação ao corpo. Confira!

Equipe Corrida na Rua
Corrida na Rua
· 14/03/2026
Calcanhar x Meio do Pé: O Que Realmente Importa na Pisada?
Foto: e_stamm / Pixabay

Aterrissar com o calcanhar não é o vilão que muitos fazem parecer. Com tantos conselhos sobre "correr com o meio do pé" ou "evitar pisar com o calcanhar", os corredores estão confusos. A verdade é que o tipo de pisada importa menos do que onde seu pé toca o solo em relação ao seu corpo.

Um corredor que aterrissa com o calcanhar, mas com o pé alinhado sob o centro de gravidade, tem menos risco de lesão do que aquele que força uma pisada com o meio do pé, mas com o pé muito à frente do corpo. Notou a sutileza? O que realmente faz a diferença não é a parte do pé que toca o chão primeiro, mas sim onde esse contato acontece.

Neste post você vai entender por que a discussão entre heel strike (pisada com o calcanhar) e midfoot strike (pisada com o meio do pé) foi mais longe do que deveria; e ainda como adaptar sua técnica ao asfalto ou trilhas, e por que a maioria dos corredores amadores não precisa mudar sua pisada natural (a menos que estejam sofrendo com lesões recorrentes).

Por Que a Pisada Virou um Debate

Se você já participou de um grupo de corrida em São Paulo, Rio ou qualquer outra cidade brasileira, provavelmente ouviu alguém dizer que "pisar com o calcanhar é errado" ou que "correr com o meio do pé é a solução para todas as lesões". A verdade é que a ciência não é tão radical assim.

Estudos mostram que não há uma pisada universalmente melhor; como diz o Dr. Iberê Datti em seu site, "o que funciona para um atleta de elite pode não ser o melhor para um corredor iniciante".

No fim, o que importa é evitar o overstriding. É quando o pé aterrissa muito à frente do corpo, independentemente de ser com o calcanhar, meio do pé ou antepé.

Muitas vezes enfrentamos asfalto irregular ou trilhas escorregadias, que exigem adaptações constantes; por isso, focar apenas no tipo de pisada pode até piorar sua técnica. Sabe-se que os corredores podem alternar diferentes tipos de pisadas ao longo de uma corrida.

O que realmente reduz o risco de lesões é aterrissar com o pé sob o centro de gravidade, mantendo uma cadência adequada e uma postura alinhada.

Neste post você vai entender por que a pisada com o calcanhar não é necessariamente ruim e em quais situações ela pode se tornar um problema. Também vamos mostrar como identificar se você está cometendo overstriding e como corrigir sem forçar o corpo além do limite.

Outro ponto importante é que tentar mudar radicalmente a pisada, passando de pronado para neutro ou supinado sem orientação, pode gerar mais lesões do que prevenir. Já aumentar a cadência é uma adaptação menos invasiva e mais natural. Ao dar passos mais curtos e rápidos, você reduz o tempo de contato com o solo, diminui a sobrecarga nos joelhos e tornozelos e melhora a postura, evitando a sobrepassada.

Também vamos falar sobre como adaptar a técnica ao tipo de terreno em que você mais corre. No asfalto quente das capitais, a cadência ajuda a manter o fôlego sem quebrar. Na esteira, o ritmo constante facilita o ajuste. Já nas trilhas, a variação natural do terreno exige atenção redobrada para manter a eficiência sem perder estabilidade.

Pisada com Calcanhar (Heel Strike) É Ruim?

Aterrissar com o calcanhar no chão não é um problema. O que aumenta o risco de lesões é quando esse contato acontece muito à frente do corpo, gerando um impacto excessivo nos joelhos e quadril. Na Runner's World tem um post que afirma que heel strikers com pé sob quadril têm lesões similares a midfoot strikers, citando dados de corredores de elite (93% heel strike).

Uma pisada de calcanhar segura acontece quando: - O pé toca o solo diretamente abaixo do corpo ou apenas levemente à frente, evitando a sobrepassada. - A perna não está totalmente estendida, permitindo que o joelho funcione como amortecedor natural. - A cadência se mantém entre 170 e 180 passos por minuto, reduzindo o tempo de contato com o solo e distribuindo melhor a carga.

Se você corre com o calcanhar e não sente dores, não há motivo para mudar. O verdadeiro vilão é o overstriding: aquela passada longa demais que aumenta o impacto e sobrecarrega articulações. Ajustar a cadência e a postura costuma ser mais eficaz e seguro do que tentar alterar radicalmente a forma de pisar.

É aquela velha história: não é o calcanhar que causa problemas, mas sim a forma como ele é usado.

Pisada com o Meio do Pé (Midfoot Strike) Nem Sempre é a Solução

Muitos corredores acreditam que correr com o meio do pé é sempre melhor, mas isso não é uma verdade absoluta. Essa técnica pode ser mais eficiente em alguns contextos, especialmente em ritmos rápidos ou terrenos irregulares, mas forçar a transição sem adaptação gradual pode gerar novas lesões.

A pisada com o meio do pé faz sentido: - Em Provas de velocidade (5K ou 10K): A passada mais ágil ajuda a manter o ritmo intenso. - Em Trilhas ou terrenos irregulares: O contato mais central do pé aumenta a estabilidade. - Para Corredores com cadência alta (próxima de 180 SPM): A postura ereta e o ritmo já favorecem esse tipo de pisada.

Mudar o tipo de pisada sem orientação adequada vai te causar problemas. A transição brusca para o midfoot strike costuma tensionar panturrilhas e tendão de Aquiles, já que essas regiões passam a absorver mais impacto. Lesões como fascíte plantar e tendinite são comuns em quem força a mudança sem preparo.

Se você quer experimentar mudar sua pisada, tenha calma e faça isso aos poucos: - Comece em treinos curtos (2 a 3 km). - Prefira superfícies macias, como grama ou esteira. - Aumente gradualmente a distância, permitindo que músculos e tendões se adaptem.

Vemos então que o midfoot strike pode ser útil, mas não é solução para tudo. O mais seguro é ajustar cadência e postura antes de mexer na forma de pisar.

Foto: aumod, no Pixabay[/img]</p>
<h2 id="-ente-terrissar-ob-o-entro-de-ravidade">Tente Aterrissar Sob o Centro de Gravidade</h2>
<p>O segredo para uma corrida BS (boa e saudável) não é o tipo de pisada, mas <strong>onde o pé toca o solo em relação ao seu corpo</strong>. Uma aterrissagem sob o centro de gravidade reduz o impacto e melhora a economia de corrida, independentemente de você ser <em>heel striker</em> ou <em>midfoot striker</em>.</p>
<p>A forma como o pé toca o solo é decisiva para evitar lesões e melhorar a eficiência da corrida. O objetivo é manter a aterrissagem próxima ao centro de gravidade, sem frear o movimento.</p>
<p>Falar assim é fácil, mas <strong>como saber qual o meu tipo de pisada</strong>? Vamos dar três receitas:
1. <strong>Filme sua corrida de lado:</strong> Se o pé estiver aterrissando muito à frente do quadril, você está fazendo <em>overstriding</em>.
2. <strong>Preste atenção ao som:</strong> Um “barulho” alto ao pisar indica que você está freando o movimento e desperdiçando energia.
3. <strong>Aumente a cadência:</strong> Manter entre 170 e 180 SPM naturalmente reduz o <em>overstriding</em>, já que encurta a passada. </p>
<p>Agora, pega esse <strong>exercício para ajustar sua pisada</strong>: Corra descalço ou com um tênis leve em uma superfície plana (como uma quadra) por 1 a 2 minutos. O corpo instintivamente aterrissa mais próximo ao centro de gravidade. Depois, leve essa sensação para seus treinos normais, aumentando gradualmente a distância. </p>
<p>Esse tipo de prática ajuda a corrigir a sobrepassada sem exigir mudanças bruscas na pisada, tornando a corrida mais eficiente e segura.</p>
<h2 id="-omo-daptar-ua-isada-ao-erreno">Como Adaptar Sua Pisada ao Terreno</h2>
<p>Um simples treino urbano oferece uma variedade de terrenos (calçadas, rampas, asfaltos, etc), e cada um exige ajustes na técnica de corrida.</p>
<p><strong>Correndo no Asfalto:</strong> O asfalto é uma superfície dura e muitas vezes irregular, especialmente em cidades como São Paulo e Rio. Para quem tem pisada de calcanhar (<em>heel strike</em>), o cuidado principal é usar tênis com bom amortecimento, como os modelos Asics Gel ou Hoka Bondi. Além disso, evitar passadas longas e manter uma cadência mais alta ajuda a reduzir o impacto e proteger articulações. </p>
<p><strong>Correndo em Trilhas:</strong> Nas trilhas, o terreno instável com raízes e pedras exige mais atenção. Aqui, uma pisada com o meio do pé ou antepé pode oferecer maior estabilidade. O segredo é reduzir o ritmo e focar em passos curtos, o que diminui o risco de torções e melhora a adaptação ao solo irregular. </p>
<p><strong>Correndo na Esteira:</strong> Na esteira, o movimento da lona que “puxa” o pé para trás pode incentivar o <em>overstriding</em>. Para compensar, aumente a inclinação para 1% a 2%, simulando melhor a corrida ao ar livre. Manter uma cadência alta também ajuda a evitar a sobrepassada e garante que o treino seja mais eficiente e seguro. </p>
<p>Em resumo: cada terreno pede uma estratégia diferente. Ajustar cadência, postura e tipo de pisada ao ambiente é o que garante evolução sem abrir espaço para lesões.</p>
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Foto: PIX1861, no Pixabay

FAQ: Dúvidas Sobre Pisada na Corrida

1. Devo mudar minha pisada se não tenho lesões?

Não. Se você não sente dores, não há motivo para forçar uma mudança. Foque em manter uma boa cadência e postura.

2. Como saber se estou fazendo overstriding?

Filme sua corrida de lado. Se seu pé aterrissa muito à frente do quadril, você está exagerando na passada. Outro sinal é se suas pernas ficam muito estendidas ao correr.

3. Pisada com o antepé (forefoot strike) é melhor para velocidade?

Pode ser, mas exige mais força na panturrilha e no tendão de Aquiles. É comum em corredores de 5K ou 10K, mas não é obrigatório.

4. Qual tênis é melhor para pisada com calcanhar?

Procure modelos com amortecimento no calcanhar, como os da linha Asics Gel-Cumulus ou Nike Air Zoom Pegasus. Mas lembre-se: o tênis não corrige a técnica, apenas amortece o impacto.

5. Posso correr descalço para melhorar minha pisada?

Sim, mas com cautela. Comece com distâncias curtas (400 a 800 metros) em superfícies macias, como grama ou areia, para fortalecer os pés gradualmente.

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