Aterrissar com o calcanhar não é o vilão que muitos fazem parecer. Com tantos conselhos sobre "correr com o meio do pé" ou "evitar pisar com o calcanhar", os corredores estão confusos. A verdade é que o tipo de pisada importa menos do que onde seu pé toca o solo em relação ao seu corpo.
Um corredor que aterrissa com o calcanhar, mas com o pé alinhado sob o centro de gravidade, tem menos risco de lesão do que aquele que força uma pisada com o meio do pé, mas com o pé muito à frente do corpo. Notou a sutileza? O que realmente faz a diferença não é a parte do pé que toca o chão primeiro, mas sim onde esse contato acontece.
Neste post você vai entender por que a discussão entre heel strike (pisada com o calcanhar) e midfoot strike (pisada com o meio do pé) foi mais longe do que deveria; e ainda como adaptar sua técnica ao asfalto ou trilhas, e por que a maioria dos corredores amadores não precisa mudar sua pisada natural (a menos que estejam sofrendo com lesões recorrentes).
Por Que a Pisada Virou um Debate
Se você já participou de um grupo de corrida em São Paulo, Rio ou qualquer outra cidade brasileira, provavelmente ouviu alguém dizer que "pisar com o calcanhar é errado" ou que "correr com o meio do pé é a solução para todas as lesões". A verdade é que a ciência não é tão radical assim.
Estudos mostram que não há uma pisada universalmente melhor; como diz o Dr. Iberê Datti em seu site, "o que funciona para um atleta de elite pode não ser o melhor para um corredor iniciante".
No fim, o que importa é evitar o overstriding. É quando o pé aterrissa muito à frente do corpo, independentemente de ser com o calcanhar, meio do pé ou antepé.
Muitas vezes enfrentamos asfalto irregular ou trilhas escorregadias, que exigem adaptações constantes; por isso, focar apenas no tipo de pisada pode até piorar sua técnica. Sabe-se que os corredores podem alternar diferentes tipos de pisadas ao longo de uma corrida.
O que realmente reduz o risco de lesões é aterrissar com o pé sob o centro de gravidade, mantendo uma cadência adequada e uma postura alinhada.
Neste post você vai entender por que a pisada com o calcanhar não é necessariamente ruim e em quais situações ela pode se tornar um problema. Também vamos mostrar como identificar se você está cometendo overstriding e como corrigir sem forçar o corpo além do limite.
Outro ponto importante é que tentar mudar radicalmente a pisada, passando de pronado para neutro ou supinado sem orientação, pode gerar mais lesões do que prevenir. Já aumentar a cadência é uma adaptação menos invasiva e mais natural. Ao dar passos mais curtos e rápidos, você reduz o tempo de contato com o solo, diminui a sobrecarga nos joelhos e tornozelos e melhora a postura, evitando a sobrepassada.
Também vamos falar sobre como adaptar a técnica ao tipo de terreno em que você mais corre. No asfalto quente das capitais, a cadência ajuda a manter o fôlego sem quebrar. Na esteira, o ritmo constante facilita o ajuste. Já nas trilhas, a variação natural do terreno exige atenção redobrada para manter a eficiência sem perder estabilidade.
Pisada com Calcanhar (Heel Strike) É Ruim?
Aterrissar com o calcanhar no chão não é um problema. O que aumenta o risco de lesões é quando esse contato acontece muito à frente do corpo, gerando um impacto excessivo nos joelhos e quadril. Na Runner's World tem um post que afirma que heel strikers com pé sob quadril têm lesões similares a midfoot strikers, citando dados de corredores de elite (93% heel strike).
Uma pisada de calcanhar segura acontece quando: - O pé toca o solo diretamente abaixo do corpo ou apenas levemente à frente, evitando a sobrepassada. - A perna não está totalmente estendida, permitindo que o joelho funcione como amortecedor natural. - A cadência se mantém entre 170 e 180 passos por minuto, reduzindo o tempo de contato com o solo e distribuindo melhor a carga.
Se você corre com o calcanhar e não sente dores, não há motivo para mudar. O verdadeiro vilão é o overstriding: aquela passada longa demais que aumenta o impacto e sobrecarrega articulações. Ajustar a cadência e a postura costuma ser mais eficaz e seguro do que tentar alterar radicalmente a forma de pisar.
É aquela velha história: não é o calcanhar que causa problemas, mas sim a forma como ele é usado.
Pisada com o Meio do Pé (Midfoot Strike) Nem Sempre é a Solução
Muitos corredores acreditam que correr com o meio do pé é sempre melhor, mas isso não é uma verdade absoluta. Essa técnica pode ser mais eficiente em alguns contextos, especialmente em ritmos rápidos ou terrenos irregulares, mas forçar a transição sem adaptação gradual pode gerar novas lesões.
A pisada com o meio do pé faz sentido: - Em Provas de velocidade (5K ou 10K): A passada mais ágil ajuda a manter o ritmo intenso. - Em Trilhas ou terrenos irregulares: O contato mais central do pé aumenta a estabilidade. - Para Corredores com cadência alta (próxima de 180 SPM): A postura ereta e o ritmo já favorecem esse tipo de pisada.
Mudar o tipo de pisada sem orientação adequada vai te causar problemas. A transição brusca para o midfoot strike costuma tensionar panturrilhas e tendão de Aquiles, já que essas regiões passam a absorver mais impacto. Lesões como fascíte plantar e tendinite são comuns em quem força a mudança sem preparo.
Se você quer experimentar mudar sua pisada, tenha calma e faça isso aos poucos: - Comece em treinos curtos (2 a 3 km). - Prefira superfícies macias, como grama ou esteira. - Aumente gradualmente a distância, permitindo que músculos e tendões se adaptem.
Vemos então que o midfoot strike pode ser útil, mas não é solução para tudo. O mais seguro é ajustar cadência e postura antes de mexer na forma de pisar.